AVISO

𝗖𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮𝗱𝗼 𝗘𝗻𝘀𝗶𝗻𝗼 𝗮̀ 𝗗𝗶𝘀𝘁𝗮̂𝗻𝗰𝗶𝗮   𝗮𝗻𝗼 𝗹𝗲𝘁𝗶𝘃𝗼 𝟮𝟬𝟮𝟬/𝟮𝟬𝟮𝟭


A Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) da Escola EB 2,3 Nuno Gonçalves, face às notícias que têm vindo a público, vem por este meio partilhar o seu entendimento sobre este novo período de confinamento, com o modelo adotado de ensino à distância.

A APEE não se pronunciará sobre assuntos ligados à saúde pública, nem sobre as orientações oficiais, dadas pela Direção Geral de Saúde (DGS) e Ministério da Saúde (MS), sendo que todas as orientações atuais ou vindouras, serão naturalmente aceites.

Louvamos ainda a forma como a DGS, o MS, o Ministério da Educação (ME) e a Escola lidaram de uma forma célere, em março passado, com a pandemia, que obrigou a todos, sem exceção, a reconfigurar o sistema de ensino de forma a terminar, com o mínimo de danos possíveis, o ano letivo de 2019/2020.

Apesar do esforço que professores, alunos e famílias fizeram, o ensino à distância, nada teve a ver com os moldes como a escola pública está organizada, sendo que os défices de aprendizagem se supõem elevados, porque nada aconteceu como em sala de aula.

O esforço realizado por professores, que tiveram de se adaptar em poucos dias a esta nova realidade, com o objetivo de não deixarem para trás as suas turmas, foi na opinião desta APEE, um exemplo de querer e dedicação, que neste momento devemos enaltecer, ainda que, em alguns casos, possa não ter sido conseguido.

Da parte dos alunos, houve o compromisso de cumprir o que lhes foi sendo pedido ao longo desse período, sem que isso implique necessariamente, na opinião desta APEE, que as aprendizagens tenham sido consolidadas.

Fazendo o balanço desses meses, em que os ensinamentos ocorreram com alunos confinados, assim como as matérias lecionadas à distância, concluímos hoje, que as desigualdades, ao nível dos equipamentos de suporte informático ou mesmo do acesso à internet, mostraram que os alunos não estiveram todos no mesmo patamar e que as desigualdades sociais foram certamente agravadas.

No nosso caso, encarregados de educação, as dificuldades foram de ordem diferente, consoante a realidade laboral de cada família e autonomia dos nossos filhos. Muitas famílias tiveram de manter as suas rotinas profissionais, para garantir os mínimos de funcionamento do nosso País. Outras viram as suas rotinas serem completamente alteradas, desde o Teletrabalho, ao LAY-OFF ou mesmo Desemprego, com consequências graves ao nível familiar, económico, social e emocional.

Neste momento, como é publico, sabemos que é intenção do ME a abertura de todos os estabelecimentos de ensino no próximo dia 8 de fevereiro de 2021, com o ensino não presencial, não existindo, à data, uma previsão de um regresso presencial, total ou parcial.

Independentemente desta decisão, acreditamos que o ensino presencial é o garante de que aprender é um direito universal, sem discriminação de qualquer tipo, onde compete ao Estado garantir um ensino público, que sirva as necessidades e os interesses de toda a população.

No entanto, e porque as condições sanitárias devido à pandemia da doença Covid 19, não permitem esse ensino presencial, a APEE da Nuno Gonçalves considera, que deverão ser reunidas todas as condições que permitam a não exclusão de alunos do direito que lhes é assistido, o direito de aprender.

Consideramos que é necessário um esforço ainda maior por parte do ME e da Direção da Escola, com vista a não deixar ninguém para trás, assegurando a todos, iguais condições, no sentido de permitir conciliar as realidades laborais das famílias, com o devido acompanhamento dos seus educandos, em concordância com as idades e necessidades dos mesmos.

A Escola deve exigir ao governo, através do ME, com vista a promover entre os alunos, a equidade e a inclusão, a distribuição de sistemas informáticos, como computadores e/ou tablets, bem como o acesso à internet, para que as desigualdades e diferenças sociais não se agravem, não só para as famílias inscritas nos escalões A e B, mas para todas.

Para este novo ensino à distância, devem igualmente ser previstas todas as questões pedagógicas, nomeadamente considerar aulas de apoio aos alunos que evidenciem essa necessidade, tal como acontecia no ensino presencial.

É nosso entendimento também, que dever-se-á igualmente garantir uma uniformização da metodologia de ensino em todas as disciplinas, colmatando assim alguns casos ocorridos, e fazendo com que os alunos contactem regularmente com os professores de cada disciplina de uma forma idêntica, ou seja uniformizando, o contacto entre docentes e alunos

Manifestamos igualmente preocupações, distintas, relativas às aulas de Educação Física (EF) e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

No que respeita à disciplina de EF, consideramos que foi uma das mais prejudicadas no ano letivo passado. Consideramos que a atividade física é essencial nesta faixa etária, devendo por isso ser incentivada. Esta disciplina é também essencial no desenvolvimento de competências sociais.

No caso da disciplina de TIC, não pondo em causa os objetivos pedagógicas propostos em Conselho Pedagógico da Escola, sugerimos que esta possa ser bastante focada na prática, indo ao encontro das necessidades educativas que estiveram bem patentes durante o último confinamento, direcionando as matérias para as respostas a dar por parte dos alunos, no caso do ensino não presencial, como sejam as pesquisas via Google, o tradutor Google, o funcionamento da Classroom, as conferências via ZOOM, suas potencialidades e perigos, entre outros.

Por fim, mas não menos importante, estão os aspetos da sociabilização das crianças, como os recreios, tempos de pausa ou intervalos. As aprendizagens são muito importantes, mas nos recreios e intervalos também se aprende e os alunos estão sedentos destes espaços de convívio. Como nesta fase não é possível o convívio na Escola, deverão os Diretores de turma possibilitar às suas turmas, um espaço, onde estas possa interagir com os seus pares, para que assim se possam colmatar a falta de tempos de convívio.

Neste sentido, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica 2,3 de Nuno Gonçalves, está disponível para, dentro das suas competências, poder ajudar as Famílias, os Alunos e a Escola, como parte contributiva, na solução das adversidades que possam vir a ocorrer, nesta fase de aprendizagem, com o ensino à distância, ficando assim ao dispor de toda a Comunidade Escolar, para colaborar, no sentido de não ficar ninguém para trás.

Porque a Escola Somos Todos Nós!

Lisboa, 7 de fevereiro de 2021